você vinha andando comigo, conversando sobre algo inútil, como de costume
eu infernizava seus ouvidos com conversas sobre romances
ainda assim, era você que me entendia e cultivava como uma erva-daninha
então você a avistou, de uma certa distância, brilhando no concreto
foi discreto e incomum o momento, mas podia-se perceber
tirando-a do chão com a ponta dos dedos
passando pra mim, você disse as célebres duas palavras
"feliz aniversário"
não senti aflição no seu sarcasmo ou desdém, apenas aceitei o presente
nos próximos meses, usei a agulha de aniversário como um método de tortura
não era tortura propriamente dita,
eu fazia por diversão
mas quanto sangue, ah, quanto sangue
não tinha a intenção de matar você
era divertido pra mim, e você sempre demonstrando impassibilidade...
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